Querida Anne

Recentemente li seu diário e fiquei fascinado como o seu jeito, tanto de agir, de escrever, e de enxergar o mundo. Você relatava as coisas que aconteciam com tanta facilidade que era como se estivesse ali, do seu lado, sentindo suas emoções, e enxergando as possíveis coisas que poderiam acontecer.

Mas, mesmo tendo lido e relido seu diário mais de duas vezes, não posso dizer que entendo. Afinal, ninguém entende cem por cento as dores que estamos sentindo. Só deixamos claro aquilo que demonstramos (como seus sentimentos pela sua mãe, o amor pelo seu pai e seu medo de como aquilo iria acabar).

Dizem que o melhor escritor do mundo foi Willian Shakespeare, e dizem que um dos melhores livros representativos sobre as emoções e as mudanças do adolescente é “A CORAGEM DE SER IMPERFEITO”. Mas eu acredito que você, no caso o seu diário, é um dos livros que mais conseguiu representar como a cabeça de nós jovens, de doze a treze anos, funciona. Você simplificou diversas situações e emoções que nós sentimos e normalizou elas. Porque é algo normal, e mesmo estando passando por toda aquela situação, até quando foi levada junto com a sua irmã para um campo de concentração, se manteve forte e firme, muito logicamente não psicologicamente, mas firme o suficiente para aguentar um pouco mais. E sem saber, marcar a história para sempre.

Texto revisado de forma voluntária pela profissional de jornalismo Carolina Delboni.