
O hóquei sobre a grama não é um esporte popular aqui no Brasil mas, quando descobri, mudou minha vida por inteiro. Porque é um tipo de terapia para mim, me faz bem, me deu novos amigos, uma família na verdade.
Amo esportes e sempre fui bem ligada a eles, já joguei – e experimentei – muitas modalidades e tinha certeza que o hóquei seria só mais um, mas não. É uma experiência completamente diferente que me despertou muito interesse.
No hóquei, como em todo esporte de maneira geral, existem diferentes técnicas e jeitos de se jogar que são próprios da modalidade e, por isso, acaba sendo diferente dos outros. Mas o que eu sinto jogando hóquei é que existe uma persistência em fazer corretamente. Só que a forma como sou cobrada, a pressão colocada enquanto você pratica, e a forma como as pessoas me corrigem ou como me explicam algo é diferente. Minha treinadora cobra muito, porém, sei que o real motivo é que ela sabe que jogo mais que isso e que posso melhorar.
Tenho pouco tempo praticando, mas já joguei meu primeiro campeonato e foi incrível, conheci várias outras pessoas incríveis também.

Acho que tenho potencial e muitas pessoas me inspiram e me motivam, e sinto que se eu mesma me motivar, outras pessoas também irão.
A Djane, do São José Hóquei, é uma das pessoas em que eu mais me inspiro, tanto como jogadora quanto pessoa, ela é uma mulher doce, respeitosa, esforçada, ela é o tipo de pessoa que eu penso em ser. Um ponto muito forte que faz eu me inspirar nela é ser mulher, negra e LGBTQIA+. Uma pessoa com todos esses estereótipos que conseguiu alcançar um lugar tão grande sendo um esporte internacional faz com que ela seja minha inspiração. Em um mundo onde existem tantos preconceitos, não só no esporte, ela se transforma em uma pessoa tão importante para a imagem do hóquei nacional e para a vida das pessoas que fazem o hóquei e convivem com ela.
Criei um afeto muito grande e pretendo permanecer pelo resto da vida praticando e aperfeiçoando o que mais amo. Quando digo isso significa que ele pode mudar vidas, principalmente de adolescentes que vivem na periferia, onde a oferta de modalidades é limitada ao futebol.
O hóquei pode chegar em todos os lugares se formos fortes o bastante para convidar outras pessoas e transformar ele em um esporte nacional como o futebol.
Esse é meu desejo, meu sonho.
Ass: Anne
Texto revisado de forma voluntária pela profissional de jornalismo Carolina Delboni.
