“Quando eu fotografo uma flor, eu me torno essa flor por um momento”

Durante as atividades da iniciativa EducaAção, realizadas com o CCA do Projeto Arrastão, os jovens participaram de um workshop de fotografia. A proposta buscava apresentar ferramentas técnicas da fotografia, mas também abrir espaço para que cada participante pudesse experimentar novas formas de olhar e sentir o mundo.

A partir de perguntas sobre sua experiência, Ana Julia Ferreira de Almeida, de 11 anos, escreveu o texto abaixo, compartilhando um pouco do que viveu durante o encontro.

Quando eu fotografo uma flor

Eu gostei de aprender como usar a câmera.

Aprendi que a foto não precisa ficar no meio, que ela pode ficar mais para o canto com a regra dos terços.

Eu gosto de fotografar paisagens, flores e o pôr do sol. Porque quando eu fotografo essas coisas é como se eu estivesse respirando um ar diferente.

Quando eu fotografo uma flor, é como se eu me tornasse essa flor por um momento. Como se eu pudesse entrar dentro da imagem e sentir o que ela sente.

Fotografar me faz olhar as coisas de um jeito diferente.

— Texto escrito por Ana Julia Ferreira de Almeida, 11 anos.

O texto de Julia revela algo muito profundo sobre a experiência educativa e artística. Existe uma diferença entre aprender apenas uma técnica e viver uma experiência que atravessa a forma como percebemos o mundo.

Ao escrever sobre a fotografia, Julia não fala somente sobre câmera, enquadramento ou composição. Ela fala sobre sensação, presença e conexão. Quando diz que se torna a flor ao fotografá-la, ela revela uma capacidade sensível de se relacionar com o mundo através da imagem.

Nesse processo, a câmera deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica e passa a ser também uma extensão do olhar, da imaginação e da subjetividade.

Experiências como essa nos lembram que a educação pode ser mais do que transmissão de conteúdo. Ela pode ser espaço de expressão, pertencimento e descoberta de si. E talvez uma das maiores potências da arte esteja justamente nisso: permitir que jovens não apenas aprendam sobre o mundo, mas também encontrem novas maneiras de sentir e existir dentro dele.